MAGIA E CIÊNCIAS OCULTAS JUDAICAS EXPOSTAS À LUZ DO DIA


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Magia e ciências ocultas judaicas expostas à luz do dia


France Presse


JERUSALÉM, 14 Mai 2010 (AFP) -Em Israel, a aura de mistério que envolve as ciências ocultas da Cabala, a mística secreta judaica reservada aos iniciados, poderia se dissipar gradualmente.
Embora alguns puristas ainda pratiquem a Cabala em cavernas durante a noite, outros fazem disso um comércio florescente em becos.
Uma grande exposição, "Anjos e demônios, a magia judaica através dos tempos", que foi recentemente aberta no museu da Terra da Bíblia em Jerusalém, contribuiu para levantar os tabus a respeito dessas crenças muito populares no mundo judaico.
Por que é necessário começar o dia com o pé direito? E usar uma pulseira vermelha amarrada sete vezes em torno do pulso? Ou ainda, pregar pergaminhos bentos nos quatro cantos da casa ?
"Por trás de todas essas práticas, existem necessidades humanas elementares: as pessoas precisam de amor, saúde e segurança. Era a mesma coisa há três mil anos e, por isso, as tradições perduram", respondeu Gideon Bohak, professor de história, especializado em mística judaica na Universidade de Tel-Aviv.
"Praticamos frequentemente a magia judaica em Israel, a 'autêntica', por causa da antiga tradição do Zohar (livro sagrado e hermético da Cabala). Mas temos recorrido cada vez mais a uma magia 'New Age', argumentando que isso faz parte da tradição judaica", lamentou o acadêmico.
Todas as quintas-feiras, à meia-noite, um grupo de adeptos da Cabala perpetua uma tradição ancestral se reunindo em uma gruta mal iluminada, em Beit Meir (oeste de Jerusalém), ao redor do rabino e mestre cabalístico, Ouri Revach.
Longe de tudo, eles aproveitam a noite de conjunção astrológica para estudar até o amanhecer os segredos do livro do Zohar ("Esplendor").
Mas a Cabala em sua "nova fórmula" destinada ao grande público se revela nos centros chamados de "Cabala aplicada" que crescem em Israel, onde se pode aprender sobre encantamentos e medicina mágica a partir do livro do Zohar.
Em sua clínica cabalística em Hod HaSharon, próxima a Tel-Aviv, Itzhak Mizrahi resolve os problemas mais triviais dos seus clientes: encontrar um amor, acalmar alguns vizinhos, ganhar uma promoção ou ainda evitar um divórcio. Para isso, ele prepara amuletos, escrevendo em pequenos pedaços de pergaminhos encantos tirados do livro.
"Cresci com a Cabala, nasci dentro dessa cultura e não conheço outra. Não sei de onde vem isso, não sei como explicar", contou Itzhak Mizrah, em sua oficina repleta de potes de vidro com pós coloridos.
"Eu faço remédios à base de plantas medicinais que eu compro regularmente no Marrocos. O mais popular é aquele que permite trazer a pessoa amada", garantiu enquanto triturava em um pilão rosas murchas e misturava com um pó azul turquesa.
Mas se o Torah tolera o uso da "magia branca", condena o uso da "magia negra", uma vertente maléfica que traz benefícios somente à própria pessoa.
Os ativistas ultranacionalistas israelenses se vangloriam de terem usado a magia negra contra dois primeiros-ministros que eles consideravam "traidores": Itzhak Rabin, assassinado em 1995, e Ariel Sharon, que entrou em coma profundo em 2006.
"Eu não acredito que Rabin esteja morto porque alguém recitou uma maldição. Rabin está morto porque alguém puxou o gatilho. A magia foi usada para legitimar a violência contra outros judeus, e eu tenho muito medo que isso possa acontecer de novo no futuro", advertiu o professor Bohak.

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