A VERDADE SOBRE BAPHORET

A Verdade sobre Baphomet


Baphomet é uma figura enigmática com cabeça de bode que é encontrada em várias lugares na história do ocultismo. Dos Cavaleiros Templários da Idade Média e os maçons do século 19 às correntes modernas do ocultismo, Baphomet nunca deixou de criar polêmica. 

Mas qual é a origem de Baphomet, e mais importante, qual é o verdadeiro significado desta figura simbólica? Este artigo analisa as origens do Baphomet, o seu significado esotérico e sua ocorrência na cultura popular.

Ao longo da história do ocultismo ocidental, o nome do misterioso Baphomet foi muitas vezes invocado. Embora ele tenha se tornado um nome comum no século XX, menções de Baphomet podem ser encontradas em documentos que datam desde o século 11. Hoje, o símbolo está associado com qualquer coisa relativa ao ocultismo, rituais de magia, bruxaria, satanismo e esoterismo. Baphomet aparece muitas vezes na cultura popular para identificar qualquer coisa relacionada com ocultismo.

A representação mais famosa do Baphomet é encontrada em “Dogme et Rituel de la Haute Magie” (Dogma e Ritual da Alta Magia), um livro de 1897 de Eliphas Lévi que se tornou uma referência padrão para o ocultismo moderno. O que esta criatura representa? Qual é o significado dos símbolos ao seu redor? Por que ela é tão importante no ocultismo? Para responder algumas dessas questões, devemos primeiro olhar para suas origens. Vamos primeiro apresentar a história de Baphomet e os vários exemplos de referências a Baphomet na cultura popular.

Origens do Nome

Há diversas teorias sobre as origens do nome de Baphomet. A explicação mais comum afirma que este nome é uma corrupção do nome de Mohammed em francês antigo do (que foi “latinizado” para “Mahomet”) – o Profeta do Islã. Durante as Cruzadas, os cavaleiros templários permaneceram durante longos períodos de tempo em países do Oriente Médio, onde se familiarizaram com os ensinamentos do misticismo árabe. Este contato com as civilizações orientais lhes permitiram trazer de volta para a Europa a base do que se tornaria o ocultismo ocidental, incluindo o gnosticismo, a alquimia, a cabala e o hermetismo. A afinidade dos cavaleiros Templários com os muçulmanos levou a Igreja a acusá-los de adoração de um ídolo chamado Baphomet, por isso há algumas ligações plausíveis entre Baphomet e Maomé. No entanto, existem outras teorias sobre as origens do nome.

Eliphas Levi, o ocultista francês que desenhou o famoso retrato de Baphomet argumentou que o nome havia sido derivado de uma codificação cabalística:

O nome do Baphomet dos Templários, que deve ser soletrado cabalisticamente para trás, é composto de três abreviações: Tem. ohp. AB., Templi omnium hominum pacts abbas, “o pai do templo da paz de todos os homens”.[1]

Arkon Daraul, um autor e professor da tradição Sufi e de magia, argumentou que o nome Baphomet veio da palavra árabe Abu fihama (t), que significa “O Pai do Entendimento”. [2]

Dr. Hugh Schonfield, cujo trabalho sobre os Manuscritos do Mar Morto é bem conhecido, desenvolveu uma das teorias mais interessantes. Schonfield, que havia estudado uma sistema de criptografia judeu chamado Atbash, que foi usado na tradução de alguns dos Manuscritos do Mar Morto, afirmou que quando se aplicou a cifra na palavra Baphomet, esta foi transposta para a palavra grega “Sophia”, que significa “conhecimento” e também é sinônimo de “deusa”.

Possíveis Origens da Figura

A representação moderna de Baphomet parece ter suas raízes em várias fontes antigas, mas principalmente em deuses pagãos. Baphomet tem semelhanças com deuses de todo o globo, incluindo do Egito, do norte da Europa e da Índia. Na verdade, as mitologias de um grande número de civilizações antigas incluem algum tipo de divindade com chifres. Na teoria junguiana (de Carl Jung), Baphomet é uma continuação do arquétipo deus-com-chifres, pois o conceito de uma divindade com chifres é universalmente presente na psique individual. Será que Cernunnos, Pan, Hathor, o Diabo (como descrito pelo cristianismo) e Baphomet têm uma origem comum? Alguns de seus atributos são muito semelhantes.

O antigo deus celta Cernunnos é tradicionalmente representado com chifre na cabeça, sentado na “posição de lótus”, semelhante à representação do Baphomet de Levi. Embora a história de Cernunnos esteja envolta em mistério, ele é geralmente considerado o deus da fertilidade e da natureza.

Na Grã-Bretanha, Cerennunos foi nomeado Herne. O deus chifrudo tem as características de Sátiro de Baphomet, juntamente com sua ênfase no falo. 

Pan era uma divindade de destaque na Grécia. O deus da natureza era muitas vezes representado com chifres na cabeça e a parte inferior do corpo de um bode. Não diferentemente de Cerenunnos, Pan é uma divindade fálica. Suas características animalescas são a personificação dos impulsos carnais e de procriação dos homens.

os incorporados por esses deuses se tornou a representação do que é considerado o mal pela Igreja.
Papa Silvestre II e o Diabo (1460). No cristianismo, o diabo tem características semelhantes às dos deuses pagãos descritos acima pois eles são a principal inspiração para essas representações. Os atribut

O carta do Diabo do Tarot de Marselha (século 15). Esta carta mostra o diabo, com suas asas, chifres, seios e sinal da mão. É sem dúvida uma grande influência na representação do Baphomet de Levi (detalhes mais adiante).

Robin Good-Fellow (ou Puck) é um elfo mitológico que seria a personificação do espírito da terra. Tendo vários atributos de Baphomet e outras divindades, ele é mostrado aqui na capa de um livro de 1629 rodeado por bruxas.

Pintura de Goya de 1821 El Aquelarre, ou El Gran Cabrón (O grande Bode) ou ainda “Witches Sabbath”. A pintura retrata um grupo de bruxas reunidas em torno de Satanás, retratado como uma figura meio-homem, metade bode. 



Uma figura semelhante a Baphomet na Catedral de Notre-Dame-de-Paris, que foi originalmente construída pelos Cavaleiros Templários.

Baphomet de Eliphas Levi

Esta representação de Baphomet de Eliphas Levi em seu livro Dogmes et Rituels de la Haute Magie (Dogmas e Rituais da Alta Magia) tornou-se a representação visual “oficial” de Baphomet.
Em 1861, o ocultista francês Eliphas Lévi incluíu em seu livro “Dogmes et Rituels de la Haute Magie” (Dogma e Ritual de Alta Magia) um desenho que se tornaria a mais famosa representação do Baphomet: um bode humanóide alado com um par de seios e uma tocha em sua cabeça entre os seus chifres. A figura apresenta semelhanças numerosas com as divindades descritas acima. Ele também inclui vários outros símbolos relacionados com os conceitos esotéricos encarnado por Baphomet. No prefácio de seu livro, Levi diz:

“O bode na capa carrega o sinal do pentagrama na testa, com um ponto no topo, um símbolo de luz, e suas duas mãos formam o sinal do hermetismo, uma que aponta para a lua branca de Chesed, e a outra apontando para baixo para a lua negra de Geburah. Este signo expressa a perfeita harmonia da misericórdia com a justiça. Um de seus braços é de uma fêmea, e o outro de um macho como os do andrógino de Khunrath, os atributos dos quais tivemos que unir com os do nosso bode porque ele é um e o mesmo símbolo. A chama da inteligência que brilha entre seus chifres é a luz mágica do equilíbrio universal, a imagem da alma elevada acima da matéria, como a chama, que ainda que esteja amarrada à matéria, brilha acima dela. A cabeça do animal repulsivo exprime o horror do pecador, cuja atuação material é a única parte responsável que tem de suportar exclusivamente o castigo, porque a alma é insensível de acordo com sua natureza e só pode sofrer quando se materializa. A vara de pé em vez dos genitais simboliza a vida eterna, o corpo coberto de escamas simboliza a água, o semi-círculo acima dele significa a atmosfera e as penas logo em seguida acima representam a volatilidade . A humanidade é representada pelos dois seios e os braços andróginos desta esfinge das ciências ocultas.” [3]

Na representação de Levi, Baphomet representa a culminação do processo alquímico – a união de forças opostas para criar Luz Astral – a base da magia e, por fim, a iluminação.
Um olhar mais atento sobre os detalhes da imagem revela que cada símbolo é, inevitavelmente, equilibrado com o seu oposto. Baphomet em si mesmo é um personagem andrógino possuindo as características de ambos os sexos: seios femininos e uma haste que representa o falo ereto. O conceito de andrógeno é de grande importância na filosofia oculta, pois representa o mais alto nível de iniciação na busca de se tornar “um com Deus”.
O falo (pênis) de Baphomet é, na verdade o Caduceus de Hermes – uma haste com duas serpentes entrelaçadas. Este antigo símbolo tem representado o hermetismo durante séculos. O Caduceus esotericamente representa a ativação dos chakras, a partir da base da coluna vertebral para a glândula pineal, usando o poder serpentino (daí, as serpentes) ou Luz Astral.

O Caduceus como símbolo de ativação chakra.

A Ciência é real somente para aqueles que admitem e entendem a filosofia e a religião, e seu processo só será bem sucedido para o Adepto que atingir a soberania da vontade, e assim se tornar o Rei do mundo elementar: para o grande agente da operação do Sol, é aquela força descrita no símbolo de Hermes, da tábua de esmeralda, é o poder mágico universal; o espiritual, ardente, a força motriz, é o Od, de acordo com os hebreus, e a luz astral, de acordo com outros povos.
Aí está o fogo secreto, vivo e filosofal, da qual todos os filósofos herméticos falam com a reserva mais misteriosa: a Semente Universal, do qual o segredo por eles é mantido, e o qual eles representavam apenas sob a figura do Caduceu de Hermes. [4]

Baphomet é portanto, o simbolo da Grande Trabalho da alquimia onde as forças separados e opostas são unidas em perfeito equilíbrio para gerar a luz Astral. Este processo alquímico é representada na imagem de Levi pelos termos ‘Solve’ e ‘Coagula’ nos braços do Baphomet. Enquanto eles realizam resultados opostos, Solve (transformar sólido em líquido) e Coagula (transformar líquido em sólido) são duas etapas necessárias do processo alquímico – que visa transformar pedras em ouro, ou em termos esotéricos, um homem profano em um homem iluminado . As duas etapas estão no braços apontando em direções opostas, enfatizando sua natureza oposta.
As mãos de Baphomet formam o “sinal de hermetismo” – que é uma representação visual do axioma hermético “O que está em cima é como o que está embaixo“. Este ditado resume todos os ensinamentos e os objetivos do hermetismo, onde o microcosmo (homem) é como o macrocosmo (o universo). Portanto, a compreensão de um é igual a compreensão do outro. Esta Lei de Correspondência origina as Tábuas de Esmeralda de Hermes Trismegisto, onde foi declarado:

“O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima, para realizar os milagres de uma só coisa”. [5]

O domínio dessa força de vida, a Vida Astral, é o que é chamado pelos ocultistas modernos de “magia”.

O cartão do Mágico do tarot exibindo o axioma hermético “O que está em cima é como o que está embaixo”

“A prática da magia – branca ou preta – depende da capacidade do adepto de controlar a força da vida universal – o que Eliphas Levi chama de “o grande agente mágico”, ou a luz astral. Pela manipulação desta essência fluídica os fenômenos do transcendentalismo são produzidos. O famoso bode hermafrodita de Mendes era uma criatura composta formulada para simbolizar a luz astral. Ele é idêntico ao Baphomet, o deus místico daqueles discípulos de magia cerimonial, os Templários, e estes provavelmente obtiveram este conhecimento dos árabes.” [6]

Cada uma das mãos de Baphomet aponta para luas opostas, que Levi chama de Chesed e Geburah – dois conceitos opostos tomadas da Cabala Judaica. Na Árvore cabalística da Vida, o Sefirot, Chesed está associada a “bondade dada aos outros”, enquanto Geburah refere-se à contenção “da própria vontade de conceder bondade aos outros, quando o destinatário do bem é considerado indigno e susceptível de abusar desta”. Estes dois conceitos são opostos e, como tudo na vida, um equilíbrio deve ser encontrado entre os dois.
A característica mais reconhecível de Baphomet é, naturalmente, a sua cabeça de bode. Esta cabeça monstruosa representa a natureza animal e pecaminosa do homem, suas tendências egoístas e seus instintos mais básicos. Oposto à natureza espiritual do homem (simbolizada pela “luz divina” em sua cabeça), este lado animal é independentemente visto como uma parte necessária da natureza dualista do homem, onde o animal e o espiritual devem se unir em harmonia. Também pode-se argumentar que a aparência grotesca geral do Baphomet poderia servir para afastar e repelir o profano que não é iniciado com o significado esotérico do símbolo.
Em Sociedades Secretas
Embora representação Levi de Baphomet de 1861 seja a mais famosa, o nome deste ídolo tem circulado por mais de mil anos, através de sociedades secretas e círculos ocultistas. A primeira menção registrada de Baphomet como uma parte de um ritual oculto apareceu durante a época dos Cavaleiros Templários.

Os Cavaleiros Templários
Baphomet presidindo um ritual Templário por Leo Taxil.


É amplamente aceito pelos pesquisadores ocultistas que a figura de Baphomet foi de grande importância nos rituais da Ordem dos Templários. A primeira ocorrência do nome de Baphomet apareceu em uma carta de 1098 do cruzado Anselmo de Ribemont afirmando:

“À medida que o dia seguinte amanheceu eles clamaram bem alto por Baphometh enquanto nós orávamos silenciosamente em nossos corações a Deus, então nós os atacamos e forçamos todos eles para fora dos muros da cidade.” [7]

Durante o julgamento dos Templários de 1307, onde Templários foram torturados e interrogados a pedido do Rei Felipe IV da França, o nome de Baphomet foi mencionado várias vezes. Enquanto alguns templários negaram a existência de Baphomet, outros o descreveram como sendo tanto uma cabeça decepada, ou um gato, ou uma cabeça com três faces.
Enquanto os livros destinados para consumo de massa muitas vezes negam qualquer ligação entre os cavaleiros templários e Baphomet, alegando que isso é uma invenção da Igreja para demonizá-los, quase todos os autores de renome no ocultismo (que escreveram os livros destinados aos iniciados) reconhecem a ligação. Na verdade, o ídolo é muitas vezes referido como o “Baphomet dos Templários”.

“Será que os Templários realmente adoraram a Baphomet? Será que eles ofereciam uma saudação vergonhosa às nádegas do bode de Mendes? O que foi realmente esta associação secreta e potente que colocou a Igreja e o Estado em perigo, e foi assim destruída? Não julgue nada levemente, pois eles são culpados de um grande crime, pois eles expuseram a olhares profanos o santuário da antiga iniciação. Eles se reuniram novamente e compartilharam os frutos da árvore do conhecimento, para que eles pudessem se tornar senhores do mundo. A sentença proferida contra eles é maior e muito mais antiga do que o tribunal do papa ou do rei: “No dia em que comeres dela, certamente morrerás”, disse o próprio Deus, como lemos no livro de Gênesis.
(…)

Sim, em nossa profunda convicção, o Grão-Mestres da Ordem dos Templários adoraram a Baphomet, e fizeram ele ser adorado por seus iniciados; sim, existia no passado, e pode haver ainda no presente, assembléias que são presidida por esta figura, sentado em um trono e com uma tocha flamejante entre os chifres. Mas os adoradores deste sinal não consideram, como nós, que ela seja uma representação do diabo: pelo contrário, para eles é a do deus Pã, o deus de nossas escolas modernas de filosofia, o deus da escola teúrgica de Alexandrina e do nossos próprios místicos Neo-platonistas, o deus de Lamartine e Victor Cousin, o deus de Spinoza e Platão, o deus das escolas gnósticas primitivas, o Cristo também do sacerdócio dissidente. Esta última qualificação, atribuída ao bode de Magia Negra, não surpreenderá aos estudantes de antiguidades religiosas que estão familiarizados com as fases de simbolismo e a doutrina nas suas várias transformações, tanto na Índia, Egito ou Judéia.” [8]

Maçonaria

Pouco depois do lançamento de ilustração de Levi, o escritor e jornalista francês Léo Taxil lançou uma série de folhetos e livros denunciando a Maçonaria, acusando os lodges de adoração ao diabo. No centro de suas acusações estava Baphomet, que foi descrito como o objeto de adoração dos Maçons.
“Les mystères de la franc-maçonnerie” (Os Mistérios da Maçonaria) acusou os maçons de satanismo e de adorar Baphomet. As obras de Taxil levantaram a ira dos católicos.

A capa do livro de “Les mystères de la franc-maçonnerie” que descreve um ritual maçônico presidido por Baphomet, que está sendo literalmente adorado.
Imagem anti-maçônico de Abel Clarin de la Rive, 1894.


Em 1897, depois de causar grande celeuma devido às suas revelações sobre a Maçonaria francesa, Léo Taxil convocou uma conferência de imprensa onde anunciou que muitas de suas revelações tinham sido fabricadas [9]. Desde então, esta série de eventos vêm sendo apelidada de “O Hoax de Léo Taxil”. No entanto, muitos argumentam que há possibilidade de que a confissão Taxil pode ter sido fruto de coação a fim de acabar com a polêmica envolvendo a Maçonaria.
Seja qual for o caso, a conexão mais provável entre a Maçonaria e Baphomet é através do simbolismo, onde o ídolo se torna uma alegoria para os profundos conceitos esotéricos. O autor maçônico Albert Pike argumenta que na Maçonaria, Baphomet não é um objeto de adoração, mas um símbolo, sendo que o seu verdadeiro significado só é revelado a iniciados de alto nível.

“É absurdo supor que homens de intelecto adoravam um ídolo monstruoso chamado Baphomet, ou reconheciam Mahomet como um profeta inspirado. Seus simbolismos, inventados séculos antes, para esconder o que era perigoso confessar, foram naturalmente incompreendidos por aqueles que não eram adeptos, e aos seus inimigos pareciam ser panteístas. O bezerro de ouro, feito por Aarão para os israelitas, foi um dos bois sob a camada de bronze, e o Querubim no Propiciatório, incompreendido. Os símbolos dos sábios sempre se tornam os ídolos da multidão ignorante. O que os chefes da Ordem realmente acreditavam e ensinavam, é indicado para os Adeptos pelas sugestões contidas nos Altos Graus da Maçonaria, e pelos símbolos que só os Adeptos entendem.” [10]

Aleister Crowley

O ocultista britânico Aleister Crowley nasceu cerca de seis meses após a morte de Eliphas Lévi, levando-o a acreditar que ele era a reencarnação de Lévi. Em parte por esta razão, Crowley era conhecido dentro da Ordo Templi Orientis (O.T.O), a sociedade secreta que ele popularizou, como “Baphomet”.
Uma foto autografada de Crowley como Baphomet.

Aqui está a explicação de Crowley da etimologia do nome Baphomet, tiradas de seu livro de 1929 “As Confissões de Aleister Crowley”:

“Eu tinha tomado o nome Baphomet como o meu lema na O.T.O. Por mais de seis anos eu tinha tentado descobrir a maneira correta de soletrar este nome. Eu sabia que ele deveria ter oito letras, e também que as correspondências numéricas e literais deveriam ser de modo que expressassem o significado do nome em tais maneiras que confirmassem o que os estudiosos haviam descoberto sobre ele, e também para esclarecer os problemas que os arqueólogos até agora não conseguiram resolver… Uma teoria do nome é que ele representa as palavras “Beta alpha phi eta mu eta tau epsilon omicron sigma”, O batismo de sabedoria; outro, que é uma corruptela de um título que significa “Pai Mitra”. Não é necessário dizer que o sufixo R apoiou a última teoria. Eu adicionei a palavra, tal como é soletrada pelo Mago. Ela totalizou 729. Este número nunca tinha aparecido no meu trabalho Cabalístico e, portanto, não significava nada para mim. Ele no entanto se justificava como sendo o cubo de nove. A palavra “chi eta phi alpha sigma”, o título místico dado por Cristo a Pedro como a pedra angular da Igreja, tem esse mesmo valor. Até agora, o Mago tem-se mostrado com grandes qualidades! Ele tinha resolvido o problema etimológico e mostrou por que os Templários deveriam ter dado o nome de Baphomet para seu chamado ídolo. Baphomet foi Mithras Pai, a pedra cúbica, que foi a pedra angular do Templo. ” [11]

Baphomet é uma figura importante na Thelema, o sistema místico que Crowley estabeleceu no início do século 20. Em uma de suas obras mais importantes, Magick, Líber ABA, Book 4, Crowley descreve Baphomet como um andrógino divino:

“O Diabo não existe. É um nome falso inventado pelos Irmãos Negros para implicar uma unidade na sua confusão ignorante de dispersões. Um diabo que tivesse unidade seria um Deus … “O Diabo” é, historicamente, o Deus de qualquer povo que alguém pessoalmente não goste … Esta serpente, Satanás, não é o inimigo do homem, mas Ele que fez Deuses da nossa raça, conhecendo o Bem e do Mal, Ele mandou “Conhece a ti mesmo!” e ensinou a Iniciação. Ele é “O Diabo” do Livro de Thoth, e Seu emblema é Baphomet, o Andrógino que é o hieróglifo de arcana perfeição… Ele é, portanto, Vida e Amor. Mas além disso a sua carta é ayin, o Olho, de modo que ele é Luz, e sua imagem Zodiacal é Capricórnio, o bode saltitante cujo atributo é a Liberdade.” [12]

A Ecclesia Gnóstica Catholica, o braço eclesiástico de Ordo Templi Orientis (OTO), recita durante a sua Missa Gnóstica “E eu acredito na Serpente e no Leão, Mistério do Mistério, em Seu nome BAPHOMET” [13]. Baphomet é considerado como a união do Chaos e Babalon, energia masculina e feminina, o falo e o útero.

A Igreja de Satanás

Embora não seja tecnicamente uma sociedade secreta, a Igreja de Anton Lavey de Satanás continua a ser uma ordem ocultista influente. Fundada em 1966, a organização adotou o “Sigil do Baphomet” como seu emblema oficial.

O Sigil de Baphomet, o símbolo oficial da Igreja de Satanás, apresenta o Bode de Mendes dentro de um pentagrama invertido.
O Sigilo do Baphomet foi, provavelmente, fortemente inspirado por esta ilustração de Guaita’s La Clef de la Magie Noire (A Chave para Magia Negra).
Ilustrações de La Clef de la Magie Noire (1897)


 De acordo com Anton Lavey, os templários adoravam Baphomet como um símbolo de Satanás. Baphomet é destaque presente durante nos rituais da Igreja de Satanás, com o símbolo sendo colocado acima do altar ritualístico.
Na Bíblia Satânica, Lavey descreve o símbolo do Baphomet:

“O símbolo do Baphomet foi usado pelos Cavaleiros Templários para representar Satanás. Através dos tempos este símbolo tem sido chamado por muitos nomes diferentes. Entre elas estão: O Bode de Mendes, o Bode de Mil Jovens, O Bode Preto, O Bode de Judas, e talvez o mais adequado, O Bode Expiatório”.
Baphomet representa os Poderes das Trevas combinados com a fertilidade generativa do bode. Na sua forma “pura” o pentagrama é mostrado envolvendo a figura de um homem nos cinco pontos da estrela – três pontas para cima, duas pontas para baixo – simbolizando a natureza espiritual do homem. No satanismo o pentagrama também é usado, mas já que o satanismo representa os instintos carnais do homem, ou o oposto da natureza espiritual, o pentagrama é invertido para acomodar perfeitamente a cabeça do bode – seus chifres, representando dualidade, que é voltado para cima em tom de desafio, os outros três pontos invertidos, ou a trindade negada. As letras hebraicas em torno do círculo exterior do símbolo, que são dos ensinos mágicos da Cabala, soletram “Leviathan”, a serpente do abismo, e identificada com Satanás. Estas figuras correspondem aos cinco pontos da estrela invertida.” [14]

Na Cultura Popular

Principalmente devido à influência de Aleister Crowley e Anton Lavey na cultura popular, as referências a Baphomet podem ser encontrado em toda a cultura popular. Em alguns casos, como com bandas de heavy metal, as referências são bastante claras e inequívocas – estas bandas, de modo algum escondem a influência dessas escolas de ocultismo em suas imagens. Aqui estão alguns exemplos:


Banda de Death Metal Behemoth – Capa de Zos Kia Cultus

Banda de death metal The Black Dalia Murder – capa do álbum Ritual.

 Marilyn Manson – Capa do álbum Anti-Christ Superstar

Rammstein’s Pussy se refere a androginia de Baphomet. O segundo homem da direita também faz o sinal da mão “O que está em cima é como o que está embaixo”.


Na cultura pop de massa (corporativa), as referências são muito mais vagas e escondidas. Destinadas a um público mais jovem, as referências existem, mas provavelmente não são reconhecidas e compreendidas conscientemente pela maioria de sua platéia. Aqui estão alguns exemplos.
Lady Gaga.

 A cantora pop Kerli.

Captura de tela do popular jogo online Ragnarok.
                    O labirinto do fauno

      Capa do álbum de “Baphomet” de Kiichi

 Muitas referências mais obscuras podem ser encontrados por aqueles “que têm olhos para ver”.

Conclusão

Baphomet é uma criação composta simbólica da realização alquímica através da união de forças opostas. Ocultistas acreditam que através do domínio da força vital, a pessoa é capaz de produzir a iluminação da magia e do espirito. A representação de Eliphas Lévi de Baphomet incluia vários símbolos aludindo à elevação da kundalini – energia serpentina – que em última análise, leva à ativação da glândula pineal, também conhecida como o “terceiro olho”. Então, do ponto de vista esotérico, Baphomet representa este processo oculto.
No entanto, ao longo do tempo o símbolo passou a denominar muito mais do que seu significado esotérico. Através de controvérsias, Baphomet tornou-se, dependendo do ponto de vista, uma representação de tudo o que é bom no ocultismo ou tudo o que é de ruim no ocultismo. É, de fato, o “bode expiatório” final, o rosto da feitiçaria, magia negra e satanismo. O fato do símbolo ser bastante monstruoso e grotesco provavelmente ajudou a impulsionar o símbolo para o seu nível de infâmia, como nunca deixa de chocar religiões organizadas ao mesmo tempo que atrae aqueles que se rebelam contra elas.

Desde que ganhou amplo reconhecimento na cultura popular, a imagem de Baphomet é agora utilizada como um símbolo de qualquer coisa sobre ocultismo e ritualismo. Nos meios de comunicação de massas, que têm laços com sociedades secretas, a figura de Baphomet aparece nos lugares mais estranhos, muitas vezes para um público jovem demais para entender a referência oculta . Estaria Baphomet sendo utilizado na cultura pop como um símbolo do poder da elite oculta sobre as massas ignorantes?

Notas:

1 – Eliphas Levi, Dogmes et Rituels de la Haute Magie (Dogma e Ritual da Alta Magia)

2- Arkon Daraul, A History of Secret Societies

3- Eliphas Levi, Dogme et Rituel de la Haute Magie

4- Albert Pike, Morals and Dogma

5- English translation of the Emerald Tablet

6- Manly P. Hall, The Secret Teachings of All Ages

7- Malcom Barber and Keith Bate, Letters from the East: Crusaders, Pilgrims and Settlers in the
12th-13th Centuries

8- Op. Cit. Levi

9- The Confessions of Léo Taxil, April 25 1897

10- Albert Pike, Morals and Dogma

11- Aleister Crowley, The Confessions of Aleister Crowley

12- Aleister Crowley, Magick, Liber ABA, Book 4

13- Helena and Tau Apiron, “The Invisible Basilica: The Creed of the Gnostic Catholic Church: An Examination”

14- Anton Lavey, The Satanic Bible

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